quinta-feira, 25 de junho de 2015

Vai ter bolo sim! E se achar ruim eu faço dois!



Quando eu era pequena, achava lindo o comercial de margarina. Aquela mesa bonita, as pessoas sorrindo, a luz do sol entrando por entre as folhas do quintal e todo aquele conjunto tão perfeitamente ajustado de personagens bem ensaiados. Isso tudo me encantava. Do alto dos meus poucos anos de idade na época, me perguntava por que na minha casa não era assim.
Meu pai e minha mãe nunca foram aquele casal perfeito e minhas irmãs eram seres completamente fora do meu alcance. Não que elas morassem longe, dormíamos todas no mesmo quarto, mas o isolamento que eu sentia era tão grande que, no meio dessas cinco pessoas que viviam a mesma rotina, eu me sentia absolutamente sozinha.
Era uma solidão tão forte que eu acha a televisão mais interessante que qualquer um deles. Naquela casa nenhuma conquista era comemorada, e se houvesse alegria por algo, mesmo que isoladamente, ela não era bem-vinda.
Não estou falando de notas na escola, cresci sabendo que isso era obrigação. Por dezenove anos eu vivi de alegrias contidas, vividas de corações disparados e de gritos de alegria calados.
Em cada pequena alegria contida era guardada para ser vivida num momento futuro com sorrisos escancarados e bolo de chocolate.
Sim, bem específico, com bolo de chocolate. Pois era o que eu via que as mães das coleguinhas faziam para comemorar as pequenas conquistas de seus filhos. Um bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro. Por isso que essa foi uma das primeiras receitas que aprendi quando saí de casa.
Semana passada anunciei meu segundo conto publicado. Não houve alegria, nem parabéns do lado de lá, mas teve sorriso aberto e orgulho do lado de cá. E o bolo? Claro que vai ter bolo! E se acharem ruim eu faço logo dois!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe algo de bom e ganhe um sorriso.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...