sexta-feira, 22 de junho de 2012

Senta que lá vem a história: Os piores 4 meses da minha vida




Eu queria muito que no lugar de vc ter me ignorado no dia que cheguei de viagem, tivesse corrido pra me encontrar e me desse um super abraço que eu tanto gosto. Que tivesse passado o ano novo comigo, eu vestida com meu vestido lindo branco e dourado e minhas sandália douradas de 39,90. A vida teria sido boa, era o primeiro ano novo que eu ia passar feliz em muito tempo. Eu tava emagrecendo, minha roomate infernal e o encosto dela tinham ido embora, eu estava pagando meu apê com dificuldade, mas era algo meu, era meu teto, tinha comprado coisinhas pra cozinha dele, eu estava gostando mais da vida, parecia que as coisas iam dar certo. Eu estava tão esperançosa sabe? Tão cheia de coisa coisa boa, ia ser um 2012 incrível. Mesmo com o comportamento nojento da minha mãe comigo. Mesmo tendo 30 anos. Mesmo com seus "amigos" falando mal de mim pra vc. Eu estava com alguém que me amava de um jeito torto, mas era o melhor que eu tinha sabe? Era tão pouco, mas era bom. Voltei pra casa morrendo de saudade. Dava pra ver a luz no fim do túnel, em abril acabava o martírio de pagar a construtora e eu ia poder reconstruir minha vida e realizar aqueles monte de sonhozinhos bestas que eu tenho. Ia mostrar pra vc que eu merecia lugar de destaque na sua vida e não de figurante. Mesmo sabendo que vc não me queria por perto, que não era pra opinar no seu apê, nem dormir lá, nem tocar nas suas coisas, vc estabeleceu bem essas regras, mas mesmo assim, eu pensava que tinha tanta coisa boa e que podia conquistar muito mais. Eu ia mostrar que era merecedora. Eu não fazia ideia que estava pra acontecer. Foi um golpe tão baixo, mas tão baixo, que eu fiquei sem chão. Passei o ano novo de roupa velha, jeans, camiseta e um par imenso de olheiras. Como ia ser agora? Eu estava tão sozinha no mundo, aquele amor torto era nada e eu nem sabia. Aproveitava cada mensagem, dormia com o celular na mão, tremia tanto quando acessava que demorava o dobro do tempo. E chorava chorava chorava. E agora? Não tinha rede de segurança, não tinha super herói, só tinha eu e o mundo me comprimindo. Dar um basta 30 dias depois e me jogar no abismo foi o primeiro passo pra ser feliz, mas a queda me quebrou inteira. A dor no corpo refletia a alma danificada. Não olhei pra tráz, mas tinha aquela esperança dele vir sabe? Ele não veio, não queria.
Dor no corpo, dor na alma e dor de fome. A dor da fome não foi tão grande quanto ouvir o escárnio da minha mãe do outro lado da linha, a ajuda não ia vir dela. Força! Tem almoço no trabalho, aprendi a gostar de fígado, a fome é um bom tempero. A única refeição do dia virou uma festa numa vida tão sem carinho. Não tinha dinheiro pro ônibus, vai apé mesmo, 5km todo dia. O chefe quer produção, o colega dá patada e eu no piloto automático, ria de mentira a cada fora que levava. A vida não é doce, mas pode ser. Força menina! A sandália estourou de tanto caminhar, acabou o dinheiro, bora vender as roupas pois o colar dos meus 15 anos era o último recurso. Bora usar tênis velho e rezar pra ele não se partir no meio do caminho. Aí a calça rasgou, a única calça, não tinha dinheiro pra comida quem dirá uma calça, mas a fome ajudou a emagrecer e resgatei uma calça velha, funcionou, viva! Bora vender os sapatos de festa, sem dó, as contas só aumentavam. Bora viver de luz apagada e andar sem medo do escuro pra economizar, como eu era ingênua... O computador deu defeito, lá se vão 60 reais só pra saber o que era. Lá se vão mais 38 pra comprar um teclado e eu tremia e chorava e vendia tudo que podia, mas o colar dos 15 anos ficou. Teve maluco stalker querendo vir morar comigo e eu sem saber como me defender, trancava a porta e rezava, até que ele desistiu. 

As amigas me levavam pra passear, eu sempre com aquela mesma roupa, já tinha vendido quase tudo, bicava a cerveja devagar pra não acabar e sorria de mentira. Comemorava a "dieta" que estava me fazendo emagrecer e curtia as roupas antigas, que eu não tinha vendido ainda, entrando e me mostrando uma mulher mais bonita no espelho. De tanto sorrir de mentira, o sorriso virou realidade. A última parcela foi paga e, mesmo sabendo que ainda ia enfrentar um mês de fome, eu sorri de verdade e chorei de alívio. Deitei na cama e dormi um sono como a meses não dormia. Acordei sem chorar e me matriculei na dança do ventre, queria saber quem era aquela mulher bonita que me encarava no espelho. Tão forte e tão bonita.
Aí o chat do Facebook apita e leio a mensagem: "Oie, moça bonita que o Facebook me apresentou! Como vc está? Será que podemos conversar um pouquinho? Bjs".
Poxa cara... Você quer mesmo que eu te conte?




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